Jornal Nova Geração

ECONOMIA

Logística e posição geográfica atraem investimentos

Grupo Passarela soma-se a empresas como Betiolo e Mercado Livre com atividades às margens da BR-386, em Estrela. Em um raio de 200 quilômetros da região é possível atender 70% da população gaúcha

Áreas disponíveis para investimentos, proximidade com regiões consumidoras e expansão da economia regional estão na base para aumento no número de empresas instaladas de Estrela até Tabaí (Foto: Felipe Neitzke)

Acesso facilitado para regiões de relevância econômica do RS, duplicação em curso na BR-386, somado a expertise das empresas no segmento de transportes. Três aspectos preponderantes às perspectivas de desenvolvimento regional nos próximos anos. Entre 2018 até este ano, são pelo menos 70 novas empresas instaladas ou em fase de implantação ao longo de cinco municípios (Estrela, Bom Retiro do Sul, Fazenda Vilanova, Paverama e Tabaí).

A mais recente que confirma investimento é o Grupo Passarela, de Concórdia, em Santa Catarina. Com o primeiro supermercado na região aberto em agosto, o próximo negócio da organização será um centro de distribuição (CD). O anúncio ocorreu na sexta-feira, 29 de setembro, durante evento no gabinete do prefeito de Estrela, Elmar Schneider. Conforme o CEO do grupo, Alexandre Simioni, são cerca de R$ 2 milhões em investimento.

Essa é a primeira distribuidora da empresa no estado. A partir do início das atividades, a rede varejista prevê avanços na logística de mercadorias que hoje precisam ser transportadas de Santa Catarina. Neste mês, Simioni também anunciou uma unidade da Via Atacadista – marca do grupo – no antigo campo do Lajeadense. Além disso, a rede faz mapeamento de possíveis investimentos em outras cidades do Vale, como Estrela e Teutônia.

As operações devem começar nos próximos 40 dias. O negócio fica localizado no Complexo Betiolo, em frente ao 386 Business Park, às margens da rodovia federal. “Devido aos investimentos no RS, houve a necessidade de montar um hub logístico. Escolhemos Estrela devido à localização, com uma logística estratégica. Por isso esse centro de distribuição tende a crescer muito. Sabemos que vai ficar pequeno logo diante das demais lojas que devem surgir”, afirma Simioni.

Estrela desponta em termos de empreendimentos na rodovia. A estimativa é que sejam pelo menos 140 novos negócios em atividade nos últimos cinco anos. Entre as 20 maiores empresas em retorno de ICMS, pelo menos seis estão ao longo da BR. Os estabelecimentos nesta região empregam em torno de duas mil pessoas.

Na avaliação do prefeito de Estrela, Elmar Schneider, Estrela desponta como um dos polos logísticos mais importantes do RS. “Temos boas perspectivas de desenvolvimento. Nossa economia é diversificada, temos projetos para aproveitarmos outros modais de transporte, somados à nossa localização privilegiada. Tudo isso indica que seremos um dos pontos de maior eficiência”, destaca o chefe do Executivo.

Investimento foi confirmado na manhã da sexta-feira, 29 de setembro, pelo Grupo Passarela. Serão R$ 2 milhões em um Centro de Distribuição às margens da BR-386 (Foto: Karine Pinheiro)

Posição estratégica

Como o trecho Estrela a Tabaí pela BR já está duplicado, e com a liberação de mais 20 quilômetros de novas pistas nos próximos meses, há uma perspectiva de melhores condições de tráfego e segurança para o transporte até regiões consumidoras.

Conforme a economista e professora da Univates, Fernanda Sindelar, de todas as despesas operacionais, o transporte representa cerca de 60% dos custos de logística. Por isso, afirma, a posição do Vale do Taquari tem sido tão atrativa. Em cima disso, setores produtivos têm olhado com atenção para o Vale, ao mesmo tempo também se garante o recebimento de insumos e para o escoamento local, diz. Isso consolida a região como rota de passagem e de produção.

“Percebemos na região que muitos Centros de Distribuição estão sendo instalados em áreas próximas à BR-386. Essa decisão dos investidores mostra que é mais fácil deslocar as reservas daqui em comparação com outros pontos do nosso estado.”

Outro aspecto é a oferta de áreas, segundo Fernanda, diferente das cidades próximas à capital, saturadas por diversas indústrias e empresas já em operação, o Vale conta com áreas de terras disponíveis, como ocorre em Estrela. Fazenda Vilanova vive uma situação similar. Cidade com pouco mais de 4,2 mil habitantes, tem 28 empreendimentos nas imediações da BR-386. Só neste recorte, as empresas representam quase R$ 17 milhões em Valor Adicionado Fiscal.

População atendida em até 4 horas

Pelo Vale é possível carregar caminhões e entregar em pontos onde residem 70% da população gaúcha com viagens de até 4 horas. “Estamos próximos dos principais polos regionais e da Região Metropolitana, da capital Porto Alegre, onde reside mais de 35% da população gaúcha”, frisa o economista e consultor empresarial, Fernando Röhsig.

Para o outro lado, na Serra, a partir de Caxias do Sul, e no Litoral, desde Capão da Canoa, também se tem acesso ao Planalto, na microrregião de Passo Fundo, e na parte central, até Santa Maria. Um raio de 200 quilômetros por onde passa quase 80% do PIB gaúcho.

“Para desenvolvermos a região, precisamos de estradas em boas condições, tanto para escoar a produção local, quanto receber os produtos comprados de outras localidades. Junto com isso, aumenta a cada ano a demanda de turistas, pois isso representa giro da economia em hotéis, restaurantes e atrações diversas”, avalia.

Em termos nacionais, partindo do Vale do Taquari é possível ir de caminhão em pouco mais de um dia até São Paulo. “Para estratégias de negócios é fundamental ter essas informações. Pelo Vale do Taquari, pode-se alcançar regiões do país que correspondem a mais de 60% do PIB nacional.”

ENTREVISTA – Sérgio Gabardo – presidente da Setcergs

“Uma região forte e com espaço para crescer mais”

Jornal Nova Geração: A ligação por estradas entre polos econômicos gaúchos traz quais oportunidades ao Vale do Taquari?

Sérgio Gabardo – Há um grande potencial, pois se trata de uma região forte e com espaço para crescer mais. Esse movimento passa por diversos fatores e ficaríamos um dia inteiro falando sobre isso. Afora tudo o que sabemos, como o traçado da BR-386, a duplicação da rodovia e a proximidade com a Região Metropolitana, vemos que o Vale é uma região intermediária para todo o Rio Grande. Também vemos grandes concessionárias, oficinas de qualidade, escola de motoristas, bons locais de descanso, restaurantes, atrações para turistas e outros negócios.

Na sua opinião, qual será o futuro para a região?

Gabardo – Lajeado e Estrela logo serão um pouco da grande Porto Alegre, pois começam a ter hábitos, costumes e ofertas de serviços que no passado eram tipicamente da capital. São cidades urbanizadas e que incorporam a forma de vida.

Hoje é fácil se deslocar. A rodovia oferece segurança, menos risco de acidentes, menos pontos de engarrafamento. Em uma hora e meia se faz a viagem. Tanto que no passado as empresas para se consolidar precisavam ter filial em Porto Alegre. Hoje não é mais tão essencial.

Resultados a partir da duplicação

Região Estratégica
O Vale do Taquari se destaca pela localização geográfica estratégica e infraestrutura logística em crescimento.

Investimentos em expansão
Desde 2018, a região atraiu pelo menos 70 novas empresas às margens da rodovia. O anúncio mais recente foi do Grupo Passarela, de Santa Catarina. Investimento de R$ 2 milhões em um centro de distribuição em Estrela.

Crescimento Empresarial
Pelo menos 140 novos negócios se estabeleceram ou estão em implantação nos últimos cinco anos ao longo da BR-386 de Estrela a Tabaí

Importância da Logística
O transporte representa cerca de 60% dos custos de logística, tornando a localização do Vale do Taquari atraente aos negócios

Áreas disponíveis
Com terrenos ainda inexplorados, a região se diferencia na comparação com a Região Metropolitana, tornando-a atrativa para investidores.

Posição estratégica
A partir do Vale, é possível atender 70% da população gaúcha em viagens de até 4 horas. A região abrange uma área que corresponde a quase 80% do PIB gaúcho.

Histórico da BR-386

A BR-386, conhecida como “Estrada da Produção”, teve o traçado decidido e implementado ao longo de várias décadas. A construção foi resultado de um processo gradual de planejamento, projetos e execução.

Entre 1950 e 1960

O primeiro traçado foi pensado para passar no Vale do Rio Pardo, em Santa Cruz do Sul. Pressão de líderes locais, entre eles Bruno Born, foi determinante para a revisão e consolidação do trecho pelo Vale do Taquari.

Anos de 1970

A construção da BR-386 ganhou impulso. O governo federal deu continuidade ao projeto pensado nas décadas anteriores e a estrada começou a ganhar forma.

Década de 1980

A topografia acidentada foi o maior desafio para a engenharia. Na serra de Pouso Novo, imediações com Marques de Souza, a necessidade de detonações constantes exigia mais tempo para projetos e aplicações.

Anos de 1990

A década teve como marco a expansão e aprimoramento da BR-386. A rodovia foi gradualmente pavimentada, com qualificação nas condições viárias, na sinalização e segurança.

De 2000 a 2010

Década marcada pela expansão da rodovia. Acidente em 2008, entre um caminhão e um ônibus, 13 pessoas morreram. Fato provocou um movimento regional pela duplicação. Obras foram confirmadas à primeira duplicação.

Entre 2010 a 2020

Conclusão do trecho adicional de 33 quilômetros de Estrela a Tabaí. Também foi neste período que houve a mudança no modelo de concessão da rodovia federal. No fim de 2018, a CCR ViaSul venceu o leilão dos pedágios e assumiu a gestão da rodovia no ano seguinte.

De 2020 até hoje

Sob gestão da CCR ViaSul, foram iniciados investimentos para duplicação da rodovia. O primeiro trecho, de Marques de Souza a Lajeado, está em fase final de instalação. O contrato faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), e a empresa terá que investir mais de R$ 7,8 bilhões durante os 30 anos de concessão.

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