Jornal Nova Geração

OPINIÃO

Presente, futuro e a inveja dos animais

Em termos práticos, se tivermos água, alimento e abrigo já teríamos tudo o que necessitamos para viver. Pensando em nossa existência mais primitiva, assemelhando-nos aos animais irracionais, é só isso o que precisamos

Em termos práticos, se tivermos água, alimento e abrigo já teríamos tudo o que necessitamos para viver. Pensando em nossa existência mais primitiva, assemelhando-nos aos animais irracionais, é só isso o que precisamos.

Mas, evolutivamente, o ser humano desenvolveu um maior número de neurônios, principalmente no córtex pré-frontal, fazendo com que atingisse a atual capacidade de aprendizado e inteligência. De alguma forma isso possibilitou que desenvolvêssemos um sistema financeiro e de outra tornou possível que vivêssemos mais e com mais conforto. Na carona de tudo isso, criamos um universo de atividades, de entretenimento e experiências que despertam o nosso desejo e, por vezes, estão presentes em nossos sonhos: estar naquela cidade, experimentar aquele restaurante, fazer aquele cruzeiro, comemorar a formatura, celebrar o aniversário, fazer uma maratona…

As mais variadas formas de aproveitar o momento presente, “investindo” no curto e, às vezes, no médio prazo, objetivando o retorno, não na forma financeira, mas sim de sensações e realizações.

Em contrapartida, a preocupação com o futuro: reunir um capital interessante para uma aposentadoria tranquila, cuidar da alimentação, ter uma vida regrada, um plano de saúde…

O que fazer? Aproveitar o hoje ou garantir o amanhã? “Só se vive uma vez” ou “fazer o pé de meia”?

Acredito que em algum momento essa dúvida já pairou pela nossa mente.

Se precisamos de um pouco de cada, qual o divisor de águas?

Equilíbrio talvez seja a resposta. Não sabemos do futuro, talvez a gente não esteja mais aqui na próxima semana, mas talvez cheguemos aos 100 anos, quem sabe?!

Se acontecer a primeira alternativa espero que tenhamos uma vida intensa, repleta de histórias e bons momentos, tendo alcançado o tanto de sonhos que forem possíveis e que nossa existência seja lembrada pelas pessoas próximas com um sorriso no rosto e boas memórias. Que deixemos um legado.

Mas se acontecer a segunda alternativa, espero que tenhamos conseguido criar um ambiente confortável para que nossos dias não sejam repletos de preocupações com a saúde física ou financeira, que seja possível lembrarmos com carinho de todas as nossas conquistas e histórias do passado e, se não for pedir muito, que ainda seja possível conseguir mais algumas com passeios, viagens e encontros.

Independente da sua resposta – que concordo, pode ser diferente da minha – o mais importante é pensar sobre esse dilema. Isso reflete de forma positiva em nossas escolhas, na forma com que levamos o nosso dia a dia e no jeito que tratamos os que estão ao nosso redor.

Aproveitar o hoje, mas pensar no amanhã. Não deixar para o amanhã aquilo que pode ser feito, dito e aproveitado hoje. Deixar tranquilo o nosso “Eu” do futuro, mas deixar também orgulhoso e saudosista do que o seu “Eu” do passado fez. Não podemos viver no futuro, mas também não podemos ignorá-lo.

Dúbio? Sim. Complicado? Também.

Para ser honesto, nesse momento dá até uma pontinha de inveja dos outros animais que ficaram para trás na evolução.

O que achou? Me conta aqui: @miguel.lucian

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