Jornal Nova Geração

ESTRELA

Uma cidade referência na formação de professores

Instituto Estadual de Educação Estrela da Manhã é destaque no Vale do Taquari, com 200 alunos regularmente matriculados

Publicado dia 15 de outubro de 2021
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No dia do professor, as homenagens vão para estes, que, de tanta dedicação ao ofício, levam a sala de aula para casa, transformando a vida numa grande escola. Estrela, além de aumentar em mais de 40% o número de docentes, em 11 anos, possui um celeiro de novos mestres, chamado Instituto Estadual de Educação Estrela da Manhã (IEEEM).

O IEEEM é uma das quatro escolas do Vale do Taquari, que oferecem o curso normal. Entre a Escola Pereira Coruja, de Taquari, Monsenhor Scalabrini, de Encantado e Presidente Castelo Branco, de Lajeado, o Estrela da Manhã se destaca pela quantidade de turmas de magistério. São 200 alunos sendo preparados para a docência. Além disso, há a lista de espera, que começa a se formar antes mesmo do início das matrículas para o ano seguinte.

Conforme a diretora, Marisa Cristina Görgen, embora falte valorização da classe docente, o mercado de trabalho tem optado por profissionais que tem a experiência em sala de aula. “Escolas particulares entram em contato, em busca de professores, e preferem aqueles que possuem o curso de magistério, além da pedagogia”, explica.

Magistério: da sala de aula para a vida

Letícia: “Não é se tornar professor. Tu te torna uma pessoa melhor” (Fotos: Carlos Eduardo Schneider)

Santa Clara do Sul. Taila Wittcoski (18) é estrelense e Letícia Lemes de Jesus (17) mora no município de Imigrante. As colegas estão no terceiro ano, e nem todas tinham certeza de que queriam ser professoras. “Eu não sabia exatamente o que queria, mas quando entrei no IEEEM, pude viver a experiência de sala de aula. Depois disso, não tive mais dúvidas”, conta Taila. Tainá mudou-se com a família, de Dois Irmãos para Santa Clara do Sul para poder fazer magistério. “Sempre quis ser professora, e a sala de aula e esse convívio só me trouxe mais certeza”, declarou.

Segundo Letícia, o convívio com os colegas agrega muitos valores. O mais forte, segundo a estudante, é a empatia. “Tanto nos estágios quanto com os colegas, convivemos com pessoas portadoras de necessidades especiais. Não diferenciamos as pessoas. Buscamos formas de entendê-las e incluí-las da melhor forma possível. Aqui dentro, dividimos o alojamento e somos todas iguais. Alguns vêm de família rica, outros mais pobres, mas aprendemos respeito e igualdade.”

Professores em Estrela

Conforme dados da Secretaria Municipal de Educação de Estrela, o aumento no efetivo de professores foi de 43,51% em 11 anos. Em 2010, o número de profissionais no município era 239. Neste ano, as escolas municipais de Estrela contam com 343.

Para a secretária de Educação, Elisângela Mendes, este aumento aconteceu devido a migração de alunos das redes estaduais e particulares de ensino para as escolas do município. Com o aumento no número de estudantes, são necessários mais docentes em sala de aula.
A ampliação do número de turmas nas escolas também resultou na contratação de professores de reforço para as séries iniciais.

O 1º dia e a paixão pela sala de aula
Isadora: “A diferença que fazemos na vida dos alunos é algo muito especial”

A última quarta-feira, dia 13, foi especial para a estrelense Isadora Laís Bona (20). Nesse dia, ela assumiu uma turma de primeiro ano, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cônego Sereno Hugo Wolkmer. “Me formei no ano passado, e agora curso biomedicina, na Univates. Mesmo assim, busquei uma vaga para lecionar, pois é isso que amo fazer”, conta.

A paixão de Isadora pela sala de aula foi crescendo conforme o tempo foi passando. Nos três anos de IEEEM, a professora passou pelos estágios, que trouxeram a percepção necessária para despertar o forte sentimento de que essa é realmente sua vocação. “Me apeguei à forma como as crianças aprendem. A diferença que fazemos na vida dos alunos, a nossa forma de transmitir o conteúdo e perceber que eles aprenderam, é algo muito especial”, revela a educadora.

Busca pela licenciatura

Para a coordenadora dos cursos de Licenciatura presencial da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Grasiela Kieling Bublitz, a pandemia afetou a educação em todos os sentidos, inclusive na busca pelos cursos de graduação.

Os cursos de licenciatura, que já experimentavam uma baixa procura, também foram afetados neste cenário. Entretanto, a busca por professores capacitados aumentou. Para a coordenadora, este fator mostra o quanto os profissionais da educação são indispensáveis.

Grasiela relata que a maioria dos alunos dos cursos de Letras e Pedagogia já são atuantes no mercado de trabalho e que isso revela muitos sobre a importância da docência.
Para recuperar o ingresso de estudantes nestes cursos, a Univates promove ações como bolsas de estudos e programas de incentivo para quem optar pela docência. “Precisamos de professores qualificados para melhorar o cenário da educação da região, do estado e do país”, afirma a coordenadora.

Amor pela docência, mesmo após a aposentadoria

O casal de professores incentivam debates sobre a educação no município

Leônidas Erthal (78) e Lucia Erthal (76), foram professores em Estrela por 30 e 25 anos, respectivamente. Ambos são formados em Estudos Sociais e foram figuras presentes no desenvolvimento da educação no município, tendo as vidas dedicadas ao magistério.

Erthal foi convidado a estudar no Instituto Estadual de Educação Estrela da Manhã, e de lá assumiu a turma da educação infantil em 1963. Lúcia, que era filha de professor, cresceu motivada pela docência. Se formou no Ensino Normal em 1964 e assumiu as salas de aula das séries iniciais.

Os dois sempre seguiram em busca de conhecimento. Enquanto lecionavam alguns dias da semana em Estrela, em outros dias, iam até Bagé para concluir a formação em Estudos Sociais. Além desta área de conhecimento, Lúcia é formada em Belas Artes e deu aulas de música, e Leônidas tem formação em História Cívica e Geografia.
Mesmo após a aposentadoria, Erthal afirma que continua atuando como professor, pois “nunca parou de transmitir conhecimento”. Lúcia, por sua vez, torce para que as ações do município consigam manter a qualidade da educação. O casal ainda atua como promotores de discussões sobre cultura e educação no município.

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