Projeto de terapias alternativas é inovador na região
Terapia do toque ou Reiki, lamoterapia, reflexologia, cristais, aromas, cromoterapia e terapia do movimento integram-se à medicinal convencional no Sistema Único de Saúde (SUS), em Estrela, em um projeto piloto inovador na região, segundo a terapeuta holística Deborah Fischer.
A ideia era unir a medicina convencional com a alternativa através de suas práticas. Implantado na Equipe de Saúde da Família (ESF) I, no Bairro Moinhos, há um ano, o projeto gerou bons frutos. Agora, os moradores da comunidade local podem usufruir de novas possibilidades de prevenção, restauração e recuperação da saúde.
Através da Portaria 971 do Ministério da Saúde, as terapias complementares e suas práticas integrativas no SUS já prevêem acupuntura e homeopatia, assim como o Programa Nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, que também está sendo implantado na unidade, juntamente com a comunidade. “Somos profissionais de diferentes formações na área da saúde, mas procuramos trabalhar de forma interdisciplinar”, explica Deborah. Inicialmente, a equipe foi sensibilizada através da participação nas oficinas de terapia de movimento e meditação, sendo oferecido, ainda, o atendimento individual em sala. Depois, nos grupos de saúde incluiu-se a terapia do movimento e o acesso em sala aconteceu de maneira natural. “Dessa maneira, tornou-se mais fácil a divulgação do projeto. E o trabalho com as pessoas que buscavam atendimento eu iniciei respeitando as culturas que já estavam implantadas na comunidade”, explica Deborah.
Ela refere-se, em especial, à religiosidade que existe no local, que abriga muitas Igrejas. “Quando eram realizados os encontros com os grupos de hipertensos, diabéticos ou gestantes, por exemplo, as profissionais responsáveis procuravam explicar aos participantes o trabalho que poderia ser feito através da energia. Não somos apenas corpo, somos uma rede energética. Dentro de nós há uma rede de energia”, explica, ressaltando que, assim, tornou-se mais fácil agregar as terapias aos grupos.
Procedimento
Deborah explica que, em primeiro lugar, as pessoas que ainda não conhecem as terapias alternativas procuram a medicina convencional, através da consulta aos profissionais de saúde disponíveis na unidade. Dependendo do caso, o paciente é encaminhado, também, ao atendimento com a terapeuta. “O foco do meu trabalho ocorre junto à médica que atendeu o paciente. Ela me passa o histórico do paciente. Quando a pessoa chega à minha sala, eu já estou sabendo do estado de saúde dela”, explica.
Entre as terapias aplicadas, aparece a do movimento, considerada pela holística de vasta importância. “A população é atingida por vários tipos de dores. A maioria das pessoas trabalha em fábricas calçadistas ou atuam como domésticas. É um trabalho pesado e, por isso, esses trabalhadores podem apresentar problemas como trombose, tendinite e artrite. Quando chegam ao posto de saúde, essas pessoas acabam sendo encaminhadas a um fisioterapeuta. Mas, como ensiná-las a trabalhar o corpo primeiro?”, questiona-se. A resposta vem em seguida – “Através da terapia do movimento é feito um trabalho de ativação dos chakras, que são nossos centros de energia. Às vezes, o paciente não vem para participar da terapia em sala, mas acaba participando da terapia do movimento. Então, o corpo responde ao tratamento”, conta.
Outros aspectos que a terapeuta encontra pelo caminho é a cultura do medicamento e a resistência de alguns profissionais que trabalham com a medicina convencional. Para o primeiro, ela ressalta que o foco é realmente mudar um pouco essa cultura, orientando a pessoa e mostrando que terapias complementares ou alternativas podem ajudá-la. Ao segundo, ela refere-se como algo comum que ela enfrenta. “Existe uma resistência, é normal. Mas eu sempre brinco e digo. Aliás, antes eu brincava, agora assino: o dia em que a medicina convencional e a terapia alternativa juntarem-se, o ganho para a humanidade vai ser grande”, finaliza a holística.
Segundo ela, o projeto, que ainda é piloto, conta com o apoio da Prefeitura de Estrela, através da Secretaria Municipal da Saúde, e deve ser implantado, em breve, em outras unidades de saúde do município, como o ESF II do Bairro Imigrantes, que deve ser o próximo a receber as terapias complementares.