Cinco mil vagas não foram preenchidas
O NG inicia hoje a série Emprego & Qualificação.O objetivo é mostrar como está o mercado de trabalho, de que maneira o profissional pode qualificar-se e quais são as oportunidades no município.
Moradora do Bairro Boa União, Daniela Sulzbach (19) é estudante de Engenharia Ambiental. Porém, isso não impede que ela desempenhe a função de secretária de consultório médico. Quando cursava o Ensino Médio, iniciou estagiando em outro consultório durante quase dois anos. O estágio encerrou quando concluiu os estudos. Uma semana depois, Daniela estava novamente empregada e, desta vez, com a carteira de trabalho assinada. “Talvez, a experiência que adquiri durante o estágio facilitou esse novo emprego. Do contrário, penso que não teria sido tão fácil”, comenta ela. Apesar de não estar trabalhando na área para a qual estuda, Daniela cumpre e exerce sua função com a mesma vontade. Ela acredita que é importante trabalhar e que, no futuro, consiga algo dentro da engenharia ambiental.
A vaga que a estrelense ocupou no consultório médico a pouco mais de um ano integra os 13.226.083 empregos formais criados desde 2003, conforme divulgado pelo Ministério do Trabalho. O número tem como base dados da Relação Anual de Informações Cadastrais (Rais) – que abrange trabalhadores celetistas e servidores públicos federais, estaduais e municipais – somados ao saldo acumulado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a junho de 2010.
No comparativo semestral, o ano de 2010 apresentou o melhor resultado desde 2003, ao registrar a criação de 1.473.320 novos empregos formais no Brasil. Entre janeiro e junho de 2003, houve acréscimo de 560.907 empregos formais e, de janeiro a junho de 2004, 1.034.656. Em 2005, no mesmo período foram criados 966.303; em 2006, 923.798 e em 2007, 1.095.503. Em 2008, o saldo de emprego no primeiro semestre do ano foi de 1.361.388.
Segundo o Caged, a região Sul registrou um resultado inédito na geração de empregos no primeiro semestre de 2010, com a criação de 271.938 postos de trabalho. Com isso, ocupa a segunda posição no ranking de geração de empregos no país durante o período. O Rio Grande do Sul foi o estado que mais criou empregos na região, com a geração de 104.654 postos com carteira assinadas nos seis primeiros meses do ano, resultado recorde para o período e o terceiro melhor resultado do país.
Município
No mesmo período, o município de Estrela registrou 3.021 admissões, o que corresponde a 11,27% das admissões registradas na microrregião. Os desligamentos foram de 2.313, o que corresponde a 10,71% dos desligamentos na microrregião. O número de empregos formais criados de janeiro a junho no município é de 8.181, ou seja, 10,42% dos 78.518 empregos formais criados na microrregião. O dado mais alarmante, no entanto, conforme dados disponíveis no Perfil do Município, um produto integrante do Programa de Disseminação de Estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), tendo como fonte o Caged, das 8.181 vagas criadas, mais de 5 mil deixaram de ser ocupadas.
De acordo com o coordenador da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS)/Sine Estrela, Roberto Fedrigo, sobram vagas, mas também candidatos à procura de uma oportunidade. Isto se deve a inúmeros fatores. “Algumas vagas não são preenchidas por falta de qualificação do candidato. Em outros casos há candidatos que não querem ocupar determinada vaga por pensarem que possam ocupar algum cargo maior, que lhes dê um rendimento mais favorável. Há outros que também querem o emprego, mas não buscam por ele”, comenta Fedrigo.
O coordenador ainda conta que muitas pessoas vêm ao município em busca da tão sonhada oportunidade. “São pessoas que não conseguem emprego no próprio município por não existirem vagas em aberto e encontram aqui”, diz. Por outro lado, há a questão do empregador que necessita de funcionários, mas não oferece suporte. Fedrigo cita o caso de empresas situadas no interior de Estrela. “Muitas vezes, a colocação do funcionário dificulta, também, no caso do transporte. Não há linhas de ônibus e as empresas não oferecem. Então, como é possível o deslocamento do trabalhador até a empresa se o mesmo não tem condução própria?”, questiona o coordenador do Sine.
Na próxima reportagem, saiba como é possível qualificar-se